domingo, 23 de dezembro de 2012

That awesome moment...


...quando o XCOM:Enemy Unknown ganha o Spike award para melhor jogo do ano para PC, apesar de todas as críticas que sofreu, quando comparado com o título original de 1994.

XCOM:EU retrata uma realidade numa altura não muito diferente da nossa, em que a humanidade é atacada por extraterrestres e somos encarregues de liderar uma pequena força especial denominada XCOM, a última (e única) linha de defesa contra a invasão extraterrestre. E se ficasse por aqui, este jogo não seria mais do que uma gota num oceano cheio de jogos baseados nesta premissa. Mas há mais. Muito mais.


Once upon a time
Tal como tinha referido, o jogo retrata a história de uma invasão extraterrestre ao nosso planeta, cujos fins e objetivos são totalmente desconhecidos. Será preciso completar objetivos principais para a história decorrer e descobrirmos todo o enredo do jogo. A história não traz nada de novo ao género, mas o trabalho de voz e personagens é exemplar. Cada personagem tem a sua personalidade bem distinta, e as animações receberam bem mais atenção da que é normal no género.


Team Effort
XCOM:EU tem vários níveis de dificuldades, que para além das mudanças óbvias na dificuldade dos inimigos, muda um pouco com o próprio jogo, como vamos ver mais à frente, mas em todos os modos, existe uma linha comum: quando perdemos um jogador da nossa força especial, perdemo-lo de vez. Claro que podemos sempre recrutar novos soldados, mas estes começam no nível mais baixo (rookie) e terão de ser treinados para subirem na sua carreira militar e desbloquerarem novas skills, uma mecânica equivalente ao sistema de níveis.


Kill or be killed
A mecânica base deste jogo assenta numa visão anisotrópica do terreno em que controlamos 4 a 6 soldados em combates por turnos. Podemos deslocá-los livremente pelo mapa (consoante o limite para cada um) que apresenta um padrão quadrangular de forma a podermos definir bem o espaço a percorrer. Apresenta também um sistema de cover até então característico de FPSs, onde podemos colocar os nossos soldados junto a carros ou paredes para evitar que os soldados sejam alvos fáceis para os aliens. Outra pérola deste jogo é deixar de parte os "tiros certos" para implementar um sistema de probabilidades. Cada vez que escolhemos um alvo inimigo é nos dada a percentagem de acertarmos, sendo que esta varia com a distância, cover do adversário, e objetos no caminho do tiro, por exemplo.


Resource Management
O que realmente destaca XCOM:EU dos restantes jogos turn-based de estratégia é a gestão que temos de fazer da nossa base. Enquanto líderes da força XCOM, somos responsáveis pelas expansões na base que podem ser utilizadas para criar novos laboratórios de pesquisa, centros de engenharia, instalações de treino, fontes de energia, etc. Com este novos edíficios, temos acesso a mais cientistas ou engenheiros que nos permitem fazer pesquisas quer no campo científico, desbloqueando novas tecnologias, quer no campo da engenharia, desbloqueando novas armaduras e armas para os nossos soldados, os quais podemos equipar consoante a missão que escolhermos. Podemos também gerir os satélites que vigiam cada continente, de forma a podermos lançar quanto antes a nossa equipa e interceptarmos a nave extraterrestre, de forma a evitar que o pânico se alastre nos respetivos países. Estes mesmos países, responsáveis pela nossa equipa de intervenção, são a fonte do nosso rendimento mensal, por isso é do nosso melhor interesse impedir que o pânico atinja valores altos, senão arriscamo-nos a perder o apoio desse país.


Choose wisely
No que toca à nossa equipa, temos infinitas possibilidades e combinações possíveis. Consoante os soldados progridem na carreira militar desbloqueiam novas skills em função da sua classe. Estas podem ser Support, Sniper, Assault e Heavy e dependendo da missão em causa temos de balançar bem a equipa. As missões variam de objetivo podendo ser de resgate de civis, passando por eliminição de hostis, acabando em missões de reconhecimento em naves alienigenas. Se acrescentarmos agora os pormenores das mortes permanentes e do tempo de recuperação no caso de lesões aos nossos soldados, a gestão dos mesmos toma grande importância.


You think you're tough?
Como já tinha referido existem várias dificuldades neste jogo como as habituais Easy e Normal, mas onde este jogo brilha é no Classic Mode onde não temos quaisquer ajudas e a AI dos inimigos realmente se esforça para nos eliminar. Claro que no caso de perdermos um soldado já de nível bem alto podemos simplesmente fazer reload ao último save, e é exatamente para evitar isso que existe o modo Ironman. Ao escolhermos este modo, deixamos de poder guardar o jogo quando quisermos, sendo que todas e quaisquer acções e decisões são finais e irrevogáveis.


Not everything is golden
Claro que nem tudo é perfeito e apesar do título ganho por este jogo, existem algumas arestas a ser limadas, principalmente no que toca à qualidade da história que é monótona e previsível. Esta tinha potencial para ser levada a outro nível e a algo mais original, principalmente com o nível tão bom nas animações. Outro problema também é a repetição das missões e mapas. Ao fim de uma mão cheia de missões, estas tornam-se repetitivas no que toca a objetivos e os mapas começam a entrar em ciclo e a serem reutilizados, com excepção clara nas missões principais.

Momentos antes de disparar sob um alien, com uma percentagem bastante alta.
Cada movimento requer bastante estratégia e posicionamento. Ninguém quer perder um soldado de alto gabarito.
              
Após detetado um grupo de aliens, cabe a nós enviar um grupo de soldados para os eliminar. Ou capturar.

Antes de cada missão, podemos escolher a quantidade de soldados, equipamento ou equipa que melhor se aplica para cada missão.
Entre cada missões, passamos o nosso tempo na base, de forma a gerir os ganhos, pesquisas e equipa.


On a final note
XCOM: Enemy Unknown merece o título que recebeu, prinicipalmente pela combinação inovadora que trás ao género. Não por trazer mecânicas inovadoras, mas pela capacidade em unir essas mesmas mecânicas e tornar o jogo tão apreciável e memorável que cresce em nós e nos deixa sempre com imensa vontade de continuar a jogar e a fazer vários playtroughs. Pode não ser tão inovador como o original, mas culpem a indústria dos videojogos e não o jogo. XCOM:EU continua bem a legacia do seu precendente, mas mais do que isso, ganhou o seu próprio lugar no mundo dos videojogos, e com justiça.

Sem comentários:

Enviar um comentário